NME: COMO A ESTRELA EM ASCENSÃO PÔS EM SÍ PRÓPRIA NA PRINCIPAL LIGA DO POP
- Dua Lipa: Portugal
- 21 de mai. de 2017
- 5 min de leitura

A determinação de Dua Lipa levou-a do estrelado do YouTube até aos charts – e agora ela conta com Chris Martin do Coldplay como uma das suas colaborações. Nick Levine ouve como escolhas difíceis tomadas na adolescência colocaram-na no caminho para a principal liga do pop.
Dua Lipa apercebeu-se pela primeira vez que ela era legitimamente uma grande estrela pop quando encontrou-se a si própria sentada no estúdio com Chris Martin, o vocalista dos Coldplay. “Eu tive essa percepção, ‘Este é o homem que tu ouves na radio, este é o homem que tu viste ao vivo no Glastonbury’ e nesse ponto eu estava do tipo ‘Ai meu Deus. O que é que está a acontecer comigo? Isto é uma loucura.”
O resultado aparece na música “Homesick” que está no álbum de estreia homónimo da jovem de 21 anos de idade, que chega dois anos depois da estreia na faixa “New Love“. Desde esse primeiro passo, ela teve três singles no Top 15 do Reino Unido, foi nomeada “Best New Artist” pelo VO5 NME Awards, colaborou com Sean Paul e Miguel, e esgotou o O2 Shepherd’s Bush Empire em Londres. Até agora, a ascensão de Lipa tem sido muito tranquila – ela ainda não teve a sua primeira briga no Twitter – mas isso não significa que tenha acontecido por acidente.
“Quando as pessoas perguntavam o que eu queria ser eu dizia sempre que queria ser uma cantora, mas nunca pensei que fosse um trabalho de verdade. Eu pensei que era tão artificial como as personagens dos desenhos animados na televisão “, diz ela. Nascida em Londres com pais albaneses que deixaram o Kosovo nos anos 90, Lipa consegue lembrar-se de inventar coreografias no recreio para ‘Superstar’ de Jamelia e ‘1, 2 Step’ de Ciara. O seu sonho parecia ainda mais improvável depois da sua família ter voltado para o Kosovo quando ela tinha 11 anos, colocando uma pausa nas aulas de Sábado na Sylvia Young Theatre School, onde Amy Winehouse e Rita Ora – uma imigrante do Kosovo – também começaram. “A música era tão diferente”, diz Lipa. “Simplesmente não se comparava às estrelas do pop que eu vi na televisão, como Britney Spears e Destiny's Child.”
Visto que o Kosovo parece ser tão reprimido, uma Lipa com 15 anos convenceu os seus pais de que ela deveria voltar para Londres sozinha, para que ela pudesse estudar a tempo inteiro na Sylvia Young. “Havia uma rapariga mais velha do Kosovo que estava mudando-se para Londres ao mesmo tempo e os meus pais conheciam os pais dela, então eles disseram que eu poderia viver com ela. Como uma espécie de tutora.” As duas acabaram a dividir um apartamento em Kilburn, mas a coisa de tutor nunca aconteceu – Lipa teve que ir sozinha. “Ela estava ocupada com o seu namorado e stressada com os seus estudos. Então eu teria muitos amigos durante todo o tempo e eu estaria sempre no FaceTime com os meus pais.“
Aos 15 anos, a música era o maior foco de Lipa, e ela já estava life skills que a maioria de nós não pensa até a universidade. “A cozinha e a limpeza… isso foi difícil“, ela diz com um riso auto depreciativo. “Quero dizer, a ideia de que ninguém ia limpar depois de mim foi difícil! Mas coisas assim fizeram-me crescer antes do meu tempo. Isso ajudou-me a amadurecer, eu acho, e fez de mim quem eu sou hoje. Eu estou realmente grata por isso, mas eu lembro-me de ser uma luta. A minha mãe veio me visitar uma vez, abriu o meu roupeiro e disse: ‘O que são todas estas roupas?’ Eu fiquei do tipo, ‘Isso é toda a roupa suja que eu nunca lavei!’“
A pressa valeu toda a pena, e aos 18 anos ela assinou um contrato com uma gravadora. Mas esse não foi o último objetivo, ela ficou com controlo firme de como ela é retratada, com quem ela trabalha e como ela gerência a sua ascensão ao estrelato. Ela fez grandes hits com Sean Paul (‘No Lie’) e a estrela do EDM Martin Garrix (‘Scared To Be Lonely’), mas ela rejeitou outras parcerias porque elas não pareciam corretas. “Eu sabia que havia uma possibilidade de que elas pudessem-me empurrar para um público maior, mas acho que quando as parcerias não são feitas corretamente eles não representam quem tu és como artista e tu ficas um pouco perdido.”
Lipa co-escreveu a maior parte do seu álbum, mas a sua música de estreia ‘Be The One’ foi lhe oferecida pelos compositores Lucy Taylor e Nicholas James Gale. “Por muito que eu adorasse a música, eu primeiro não tinha a certeza se queria gravá-la porque eu não a tinha,” ela lembra. "Era uma coisa de orgulho, mas também era do tipo, 'Eu não posso ficar com uma música que eu não escrevi porque depois ninguém vai acreditar que eu escrevo as minhas músicas'. Mas eu só tive que superar isso. E agora essa música ajudou-me a obter o material que escrevi lá.”
NME sugere que é sexista presumir que as artistas pop femininas não têm talento se não escreverem as suas músicas. “Isso é muito verdade,” diz Lipa. "Tu nunca vais chegar muito longe se tu não tiveres influência na tua própria música – olha a Rihanna. Tenho certeza que ela escolhe cada uma das suas músicas, e torna-as suas próprias. E acho que ela conta a sua própria história através dessas músicas. Tu podes dizer que são as músicas que ela sente.
Quanto à colaboração com o Chris Martin, foi uma adição de último minuto que, a certa altura, não parecia que iria acontecer. “Eu recebi este email a dizer, ‘Porque é que não te encontras com o Chris neste estúdio em Malibu e toca para ele algum do teu material?’ E eu fiquei, ‘Ó meu Deus,” começa. Sem tempo como o presente, ela viajou para encontrá-lo. “Ele está a ouvir atentamente e quer saber o significado por de trás das músicas,” ela diz. “E depois ele diz, ‘Ok, porque é que não tentamos fazer algo para o teu álbum?’ Ele preparou os microfones e nós ficamos apenas a sussurrar ideias, a fazer melodias e a gravar tudo. Já era um pouco tarde, por isso ele deu-me o que gravamos e disse ‘Ouve mais uma vez. Se achares que há alguma coisa boa aí, nós voltamos atrás.’ Eu pensei, ‘Ele está a mandar-me seguir o meu caminho agora, nunca nos veremos novamente.’”
Mas Lipa ouvi outra vez, escolheu uma das melodias que eles escreveram e marcou uma segunda sessão. “Em primeiro, era suposto ser só eu [a cantar], mas depois eu implorei para ele cantar. Eu disse, ‘Tu tens que estar nesta música!’ E ele concordou. É a música mais bonita no álbum. Eu acho que leva toda a gente a chorar um bocado.”
O trabalho duro não para com um álbum de estréia cheio de hit, pronto para os charts. Ela está agora a preparar-se para um grande concerto só seu no Glastonbury e um Verão cheio de festivais´. Tu gira à volta de construída a marca Lipa. “É como quando tu ouves uma voz na rádio e pensas ‘Isto é o Ed Sheeran.’ Eu quero que as pessoas oiçam a minha voz ou o meu nome e pensem, ‘Esta é a rapariga que canta ‘Hotter Than Hell’. Esta é a rapariga que canta ‘Be The One’.”
TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO: DUA LIPA: PORTUGAL
VIA: NME MAGAZINE



















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